A dimensão de sonhos e realidades se tece com palavras.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tricotando



A moça. A fria manhã de quase inverno. O fio de lã entre os dedos.
A lã aquece. O sol, por vezes, dissolve o frio outonal. Nuvens se dispersam. Mas outras já deslizam no céu, ao sopro do vento.

O fio do pensamento se entrelaça, aquecendo as ideias. E as mãos, embora ágeis, não o retém, nem por um momento.

Os movimentos se repetem nas agulhas. Há uma quase sincronia. Os olhos atentos. Mas quase se perdem na teia da mente, nos fios emaranhados de lembranças.

Nuvens de incertezas vêm. E a moça tem desejo de reter fios de sol entre os dedos. E tricotar agilmente. E em breve envolver-se numa manta quentinha, de amarelo solar, num calor permanente.